Apesar de ainda vivermos na Era Industrial, hoje, a indústria utiliza muito menos mão de obra que em épocas anteriores. Foto acima, linha de montagem automatizada da General Motors em Gravataí, Rio Grande do Sul.

Sala de Aula - História Moderna - Revolução Industrial

A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL INGLESA (SÉCULO XVIII): A PRIMEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Marcos Emílio Ekman Faber

Revolução Industrial foi um processo acelerado de substituição da produção manual pela produção mecânica. Até meados do século XVIII, a produção de bens industriais era exclusivamente manufatureira, ou seja, uma indústria cuja produção era predominantemente manual. A partir do surgimento de maquinários, que aceleravam a produção, nasceu a Revolução Industrial.

A utilização de máquinas na produção industrial iniciou por volta de 1750, com a utilização da lançadeira volante para tear, criada por John Kay em 1733. Essa máquina ampliou consideravelmente a velocidade da produção. Apesar de produzir em quantidade maior do que a manufatura, essa máquina ainda precisava de trabalhadores capazes de operá-la.

Em 1740, Benjamin Huntsman, inventou o cadinho (também conhecido comocrisol) um recipiente resistente a altas temperaturas e que, portanto, era perfeito para a fundição do aço. A fundição de aço possibilitou a fabricação, em grandes quantidades, de peças em metal que pudessem equipar outras máquinas.

Assim, James Hargreaves, em 1764, inventou a spinning jenny, uma máquina de fiar extremamente veloz. Um ano depois, James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor (que originalmente havia sido inventada por Thomas Newcomen, em 1712, com o propósito de drenar água de minas de carvão).  A máquina a vapor de Watt permitiu a criação de maquinários maiores e mais potentes, que necessitavam de um número menor de operários.

Entre 1768 e 1800, uma série de inventos possibilitou o nascimento de uma potente indústria têxtil (tecidos) na Inglaterra. Indústria esta, que tornou a Grã-Bretanha a maior potência mundial da época conhecida como “oficina do mundo” e “senhora dos mares”. “Oficina do mundo”, pois produzia bens de consumo industriais para todo o globo terrestre e “senhora dos mares” por controlar o comércio marítimo mundial.

Em 1808, Richard Trevithick criou a primeira locomotiva a vapor, este invento revolucionou os transportes de cargas. A partir daí, o preço do transporte despencaria, pois os trens possibilitavam o transporte de grandes cargas em uma velocidade consideravelmente mais alta do que a praticada até então.

Mas nem tudo eram rosas na Inglaterra industrial. Pois os trabalhadores viviam em péssimas condições de sobrevivência. Até o inicio da Revolução Industrial, os trabalhadores eram responsáveis por realizar todas as fases do processo de produção. Porém, a indústria dividiu os trabalhadores em áreas de atuação. Assim, criaram-se áreas onde os trabalhadores eram responsáveis por realizar apenas uma das partes do processo de fabricação. Isso permitiu ao empregador pagar um salário menor aos trabalhadores.

Também é importante afirmar que as fábricas empregavam homens, mulheres e crianças. As máquinas permitiam que crianças trabalhassem e produzissem tanto quanto um adulto, porém recebendo um salário muito menor. Com isso, as fábricas empregavam famílias inteiras pagando salários muito baixos. Os operários eram obrigados a se sujeitar a essa política já que não existiam leis de proteção ao trabalhador.

Essa situação levou o operariado a uma situação de exploração terrível, que somente melhorou com a organização sindical que, através de paralizações e greves, obrigou os empresários a pagarem um salário melhor a seus funcionários. Por pressão dos sindicatos, o governo inglês foi obrigado a criar leis de amparo ao trabalhador, tais como carga horária máxima (8 horas diárias), salário mínimo e direito a um dia de folga semanal (preferencialmente domingo).

 


A alienação dos trabalhadores é uma grave consequência das linhas de montagem da produção em série. Tirinha acima: Frank & Ernest do cartunista Thaves. Jornal do Brasil, 19 de fevereiro de 1997.


 

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Charles Chaplin em Tempos Modernos de 1936. Crítica a sociedade industrial do séc. XX.
 

Charles Chaplin em Tempos Modernos
(Moderm Times, EUA, 1936) (1:50).
 

Linha de montagem do Ford T (4:58).
 
Indústria inglesa do século XVIII.
 
Linha de Montagem do Ford T.
 
 
 
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