Sítio arqueológico da cidade de Jericó. Uma das primeiras cidades conquistadas pelos hebreus.

Sala de Aula - História Antiga - A História dos Hebreus

HEBREUS: A ERA DOS JUÍZES

Marcos Emílio Ekman Faber
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A Era dos Juízes possui características que a tornam única. Afinal este é o primeiro período da história dos hebreus como um povo unido e independente. Antes todas as referências a eles se davam a partir das experiências de indivíduos ou de suas tribos seminômades.

Entretanto, mesmo que esta fase da história hebraica seja sobre sua unificação como povo, a verdade é que inicialmente os hebreus não criaram um reino organizado.

A monarquia era a única forma de governo conhecida na época, negá-la significava negar o Estado. E foi isso que fizeram os hebreus, rejeitaram qualquer forma de governo centralizador.

A Conquista de Canaã

Tudo começou com a chegada dos hebreus à terra de Canaã. Este fato coincidiu com uma mudança tecnológica muito importante para época: a transição entre a Era do Bronze e a Era do Ferro.

Esta importante mudança ocasionou uma significativa transformação política. Poderosos impérios da Antiguidade que haviam exercido controle sobre a região da cananeia, como os egípcios e os hititas, estavam em franco declínio.

Povos como os cananeus, amonitas, moabitas, amalequitas, entre outros, não experimentavam uma autonomia política havia muito tempo. Contudo, tratavam-se de reinos independentes e sem grande poder militar.

O vazio de poder externo na região associado a fragilidades dos reinos locais foram fatores que contribuíram para o sucesso dos hebreus em sua investida sobre Canaã.

Apesar de não existir uma concordância entre os historiadores sobre como ocorreu a conquista, a verdade é que os hebreus prevaleceram sobre os povos da região e se instalaram na Palestina por volta do ano 1390 a.C. Mesmo que tenham tido que conviver com parte dos povos conquistados, a verdade é que a cultura e a religião hebraica se sobrepuseram à dos povos da cananeia.

A Organização Tribal

Uma vez instalados na Palestina, os hebreus dividiram o território conquistado entre as doze tribos que formavam seu povo. Contudo, os hebreus não criaram um Estado centralizado.

Para compreendermos o motivo disso, precisamos lembrar que os hebreus recém haviam deixado a escravidão no Egito. A única experiência de organização do Estado que os hebreus conheciam era a de um modelo opressor. 

Se no Egito eles haviam sido obrigados a servir a um soberano que se auto intitulava um deus. Algo que contrariava sua religião. Agora não estavam dispostos a servir a um rei. Afinal, para os hebreus, Deus era o seu único soberano.

Com isso, a organização partiu da criação de uma federação de tribos independentes. Mas, que estavam ligadas pela religião e pelos laços familiares. Cada tribo tinha sua autonomia própria e não havia cobrança de impostos oficial.  A única forma de tributação era a religiosa. Entretanto, essa tributação não era em espécie. Pois cada membro da tribo deveria ofertar uma décima parte de sua produção (fosse ela agrícola ou pastoril). Com essas provisões, os levitas (sacerdotes) realizavam um ritual religioso onde todos participavam de forma igualitária. 

Na ausência de governantes oficiais, os juízes eram os responsáveis por julgar todo e qualquer conflito. E em caso de guerra, também eram eles os responsáveis por organizar o exército. Os juízes eram líderes e não governantes.

Quanto a questão religiosa, os hebreus eram monoteístas, isto é, acreditavam na existência de apenas um Deus. Contudo existem evidências de que em algumas partes do território houve manifestações de monolatria, ou seja, acreditavam na superioridade de um deus, mas aceitam a existência de outros. Isso ocorria em decorrência da convivência com os povos que foram conquistados. Por esse motivo, a Era dos Juízes foi marcada por constantes crises religiosas.

Os Juízes

A Era dos Juízes foi um período relativamente longo de tempo, iniciando em 1390 a.C., quando os hebreus chegaram à Palestina, e encerrando em 1030 a.C., quando o reino foi fundado por Saul e pelo profeta Samuel. Entre todos os juízes do período destacaram-se Débora e Sansão.

Numa época marcada pelo patriarcalismo, onde praticamente só os homens ocupavam cargos de liderança, uma mulher chamada Débora tornou-se uma importante juíza e profetiza.

Débora liderou os exércitos hebreus na vitória contra os jebianitas, povo que disputava o controle de Canaã com os hebreus. A história de Débora está narrada nos capítulos 4 e 5 do Livro de Juízes.

Outro importante juiz foi Sansão. Sansão simbolizou muito bem o que foi a Era dos Juízes, isto é, um período onde a fé e a organização dos hebreus enfrentou altos e baixos.

Quando Sansão tornou-se juiz, tribos de filisteus haviam ocupado parte do litoral da cananeia. Os povos do mar, como também eram conhecidos, tentavam expulsar os hebreus da região. Apesar da inconstância, Sansão acabou se tornando um importante líder mantendo os filisteus afastados dos territórios hebreus.

 

 


 

 


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